Somos todos gerentes de risco natos. Saiba por que e, de quebra, entenda o que é isso!

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Entre todos os seres vivos existentes sobre a face da Terra, nós, seres humanos, não somos os mais fortes, não somos os mais rápidos, não somos os mais ágeis, nem os mais resistentes. Também não temos naturalmente a habilidade de voar, de sobreviver embaixo d’água, nem qualquer proteção natural contra predadores, o frio ou o calor extremos.

Em relação à maioria dos animais, até que somos bem frágeis. Então, a que se deve o nosso sucesso como espécie em um ambiente tão hostil? Qual a nossa vantagem em relação aos outros seres vivos?

A resposta está na nossa capacidade intelectual. Graças a ela, somos capazes de observar e compreender o comportamento do ambiente ao nosso redor e detectar as diversas oportunidades para garantir nossa sobrevivência e bem-estar. Utilizamos nosso conhecimento e experiência para planejar a melhor forma de aproveitá-las.

 

O Processo de Planejamento

Planejar significa organizar a utilização de recursos humanos, materiais, financeiros e emocionais disponíveis para atingir um certo objetivo da melhor forma possível. Este é um processo de avaliação e escolha de alternativas, em que idealmente levamos em consideração três critérios principais: conveniência, eficiência e segurança.

Conveniência diz respeito às nossas motivações, expectativas e preferências pessoais. Eficiência é a relação mais adequada que se pode obter entre custos e benefícios na busca por um objetivo. Finalmente, segurança se refere à incerteza do resultado e, portanto, às nossas chances de sucesso. Ao analisarmos ponderadamente esses três critérios, estamos, na realidade, avaliando e comparando os riscos envolvidos em nossas alternativas.

Planejar é gerenciar riscos!

Planejar significa, portanto, escolher o que julgamos ser a forma mais conveniente, eficiente e segura de assumir riscos visando atingir um objetivo. Avaliamos nossas alternativas e selecionamos não somente os melhores riscos a serem tomados, mas, também, as formas mais adequadas de lidarmos com eles. Planejamos o modo mais acertado de gerenciar riscos para atingir um resultado desejado.

Somos gerentes de riscos natos e utilizamos essa habilidade para os mais variados propósitos, muitas vezes sem mesmo perceber. Gerenciamos riscos para chegar pontualmente a um compromisso, para aproveitar as férias do melhor jeito possível, para planejar um jantar ou uma festa de aniversário – e sempre utilizando nossos critérios pessoais de conveniência, eficiência e segurança.

 

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Para ilustrar com um exemplo mais simples, imagine quando assumimos um compromisso importante em um certo horário. Existe uma série de alternativas à nossa disposição para atingir este propósito. Podemos ir de carro, de metrô ou a pé, se o destino for perto. De carro é mais caro, mas é mais conveniente e confortável. Além disso, podemos nos atrasar se houver congestionamento no trajeto. A pé é de graça, mas pode chover no caminho.

Esse raciocínio mostra como avaliar os riscos envolvidos em todas as alternativas, a melhor forma de lidar com eles e como fazer as escolhas mais acertadas. Somos tão bons nisso que este processo de gerenciamento de riscos virou uma metodologia científica, utilizada para fins pessoais ou corporativos.

Gerenciamento e Controle de Riscos

Essencialmente, a metodologia se propõe a identificar e avaliar os riscos envolvidos na obtenção de um certo objetivo. Quando eles não puderem ser evitados sem abrir mão do objetivo desejado, o gerenciamento de risco se propõe a determinar as formas mais eficientes para reduzi-los e amortecer o seu impacto financeiro no futuro.

Para ficar mais claro o que quero dizer, tomemos o exemplo de uma indústria. Como qualquer outro negócio, o objetivo final é o lucro, e para obtê-lo ela deve obrigatoriamente se expor a uma série de riscos. Há o risco de mercado, o legal e o fiscal, o de interrupção da produção, de aumento do custo de matérias primas, de inadimplência por parte de fornecedores e clientes e os diversos riscos no processo de produção, como incêndio, danos elétricos, roubo, responsabilidade civil, entre muitos outros.

Estes riscos devem ser gerenciados para reduzir ao máximo a ocorrência de algum deles e amortizar o impacto. E isto deve ser feito da maneira mais eficiente possível do ponto de vista financeiro, de modo a preservar a lucratividade da empresa ao máximo. Para isto, o gerenciamento de risco estabelece uma política de controle de riscos.

A política de redução de riscos é uma política de controle físico, e a política de amortização de seu impacto é uma política de controle financeiro. Em ambos os casos, há uma série de alternativas cuja escolha depende, como dissemos, de critérios de eficiência, segurança e conveniência. A prioridade e o peso na utilização desses critérios variam de acordo com a pessoa que toma a decisão.

Controle Físico

Uma vez identificados e avaliados financeiramente, o próximo passo é a análise das alternativas disponíveis para reduzi-los. Reduzir um risco significa tomar medidas que diminuam tanto a probabilidade e a frequência de perdas quanto a severidade do impacto – e isso só é possível eliminando os fatores de risco.

Vejamos um exemplo. Em uma tecelagem, são fatores de risco as possíveis fontes de ignição não controladas, como as que podem existir por dimensionamento ou manutenção inadequada de instalações elétricas. Esse fator de risco sabidamente aumenta a probabilidade e a frequência de um incêndio.

Outro fator de risco é a presença de material combustível nas estruturas ou no telhado do edifício. Este fator de risco aumenta a severidade de um eventual incêndio e os danos nos bens que se encontram nesse prédio.

Como esses, muitos outros fatores podem ser eliminados ou reduzidos, contanto que a empresa siga alguns critérios.

Controle Financeiro

É bom lembrar que sempre haverá a possibilidade de perdas, mesmo que todas as medidas contra danos tenham sido tomadas. Por isso, controlar um risco financeiramente significa implementar dispositivos capazes de amortizar seu impacto financeiro no futuro.

Cálculo Atuarial

Essa amortização pode ser implementada por meio da constituição de um fundo de reserva adequado destinado exclusivamente a essa função. Trata-se do princípio elementar de poupança. Normalmente, poupamos para fazer frente a uma certa despesa no futuro, como a compra de um imóvel, a aposentadoria ou a educação dos nossos filhos. Ou, ainda, para controlar gastos ou perdas inesperadas.

O problema é que, no caso dos riscos, não sabemos de antemão qual o valor da perda nem quando ela ocorrerá, e descobrir isso é o objetivo de um cálculo atuarial.  Ele nos permite dimensionar o impacto financeiro de um risco e planejar a maneira mais eficiente de constituir as reservas adequadas para cobri-lo. Ao constitui-las, estamos utilizando um método de controle financeiro que chamamos de retenção financeira de risco.

Retenção Financeira de Risco

Reter financeiramente um risco significa, portanto, fazer uma poupança ou fundo de reserva próprio e atuarialmente calculado para amortizar o impacto financeiro de um risco. Ela é muito efetiva no controle de um risco, mas nem sempre é a melhor opção. Do ponto de vista financeiro, ela deve ser comparada à sua alternativa natural: a transferência financeira de risco.

Transferência Financeira de Risco e Seguro

A transferência financeira de risco utiliza o mesmo princípio atuarial para a formação de um fundo de reservas destinado a fazer frente ao impacto financeiro de um risco. A diferença é que este é um fundo comum, administrado por uma instituição financeira remunerada, para o qual diversas pessoas transferem o mesmo tipo de risco mediante o pagamento de um prêmio. A forma mais comum de transferência financeira de risco é chamada de seguro. Aliás, este blog é dedicado somente a ele!

 

Para dúvidas, deixe seu comentário abaixo.

Um abraço a todos e bom trabalho!

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