Qual a utilidade de arriscar? E de fazer um seguro? Confira aqui!

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Todo ser humano, assim como qualquer ser vivo, nasce com uma necessidade instintiva, básica e prioritária: a sobrevivência. No caso do ser humano, estudiosos em economia nos ensinam que esta necessidade é normalmente satisfeita pelo trabalho e, consequentemente, pela gradativa acumulação de riqueza.

A teoria diz que conforme acumulamos riqueza a nossa sensação de segurança em relação ao futuro aumenta gerando satisfação, alegria e bem-estar. Psicologicamente, a riqueza representa a evidencia concreta e objetiva de que o nosso objetivo primordial de sobrevivência e perpetuação da espécie está sendo alcançado.

Não é por outro motivo que somos naturalmente avessos a incerteza e, mais ainda, a possibilidade de perda inerente ao risco, o que se reflete na tendência a evitá-los ou pelo menos reduzi-los sempre que possível. Por instinto encaramos os riscos como potenciais ameaças a nossa segurança tão duramente conquistada por meio do trabalho árduo e sacrifício, embora paradoxalmente tenhamos plena consciência de que arriscar é o único meio de conquistá-la.

Consequentemente tendemos a ver mais utilidade na preservação do que já ganhamos evitando riscos do que na oportunidade incerta de ganhar mais arriscando. E, na medida em que acumulamos cada vez mais riqueza, nossa sensação de segurança vai se consolidando e arriscar se torna cada vez menos útil. Em outras palavras, ficamos cada vez mais avessos a eles (1).

Mas nem sempre as pessoas encaram os riscos desta exata maneira. Em certas circunstâncias o risco pode servir a satisfação de uma outra necessidade: o prazer puro e simples. Nestas circunstâncias, portanto, sentimos atração pelo risco pelo ganho em prazer que nos proporciona e é isto o que provavelmente explica o gosto de alguns pelo jogo, por esportes radicais, pela agressividade na condução de automóveis e vícios como o tabagismo, o alcoolismo e as drogas.

Nesses casos o ganho na forma de prazer é imediato, bastando arriscar para obtê-lo e, por esse motivo, tendemos a desconsiderar o risco objetivo que podemos estar correndo. Nessas circunstâncias tendemos a ver mais utilidade na oportunidade de ganhar mais, (prazer) do que na preservação do patrimônio que eventualmente já tivermos ganho. Arriscar é a necessidade em si.

 

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A Utilidade do Seguro

A grande demanda por seguros, nas suas mais variadas modalidades, resulta, portanto, da nossa aversão natural aos riscos. Isto faz com que atribuamos grande utilidade a qualquer alternativa que nos de a oportunidade de evitá-los, e quando isto não for possível, ao menos oportunidade de reduzi-los ou controlar seu impacto.

O seguro não é um meio pelo qual se possa evitar, ou reduzir, um risco fisicamente, mas sim um meio pelo qual podemos controlar ou amortizar seu impacto financeiro transferindo-o a uma seguradora. E por essa alternativa, igualmente útil de remediar a incerteza e os efeitos de certos riscos, as pessoas estarão dispostas a pagar um prêmio (2).

Vemos, portanto, mais utilidade em ter uma pequena perda certa e controlada pagando um prêmio de seguro do que nos arriscar na incerteza de ter uma grande perda que não podemos razoavelmente controlar.

Os mais atentos vão logo pensar: mas certos riscos podem ser controlados e até evitados! Verdade, mas neste caso eles não podem ser segurados. O seguro destina-se a proteger um indivíduo de uma perda incerta sobre a qual não tenha qualquer controle razoável. Ele não tem, portanto, o objetivo de assumir as consequências de nossa decisão voluntaria de arriscar, especialmente quando esta atitude visa o lucro.

Não há nada de errado em arriscar na busca de um ganho, ainda que este ganho seja somente o prazer de arriscar. Aliás desafiar a incerteza é da nossa natureza, e sem isto não teríamos evoluído tanto como espécie.

Mas neste caso, devemos moralmente assumir sozinhos as consequências desta decisão, não havendo qualquer motivo lógico para repassa-la a outras pessoas, a não ser de forma desonesta e inadvertida. E nem há qualquer motivo para outra pessoa aceita-la.

O risco especulativo na busca do ganho é, portanto, inútil e moralmente inaceitável ao propósito essencial do seguro que é exclusivamente a indenização.

Para opiniões, debate ou dúvidas basta usar a área de comentários. Terei o maior prazer em responder a todos.

Forte abraço, e bom trabalho!

 

  1. Teoria da Utilidade Marginal. Inicialmente proposta pelo matemático suíço Daniel Bernoulli (1700- 1782) – Exposição de uma nova teoria sobre medição dos riscos apresentado a Academia de Ciências de São Petersburgo em 1731.
  2. Prêmio de Risco – Na teoria do risco, o prêmio é a quantia que uma determinada pessoa estaria disposta a pagar pela oportunidade de evitar um determinado risco ou aposta. Matematicamente corresponde a ao valor do risco matemático menos o seu equivalente utilitário de certeza pessoal.

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